Doenças Endémicas

DOENÇAS

ENDÉMICAS

 INFORMAÇÕES

A deteção precoce de doenças pode permitir-nos tratar com muito maior eficácia o seu animal, aumentando a sua esperança média de vida.

Informe-se sobre as doenças que podem afetar o seu animal.


A preocupação com o bem-estar e qualidade de vida dos animais de estimação é a nossa prioridade do Centro Veterinário Dra. Sara Gouveia.

O que é a Dirofilariose?

A Dirofilariose ou o parasita do coração é uma doença parasitária dos cães, podendo também afetar as gatos. O parasita responsável pela dirofilariose é um nemátodo chamado Dirofilaria imitis.


Os cães são infetados por formas larvares do parasita, transmitidas pela picada de um mosquito. Através da pele e da musculatura, estas migram e penetram nos vasos sanguíneos, alojando-se, finalmente, no ventrículo direito, na artéria pulmonar e na veia cava.


Dependendo do grau de infestação, os parasitas poderão provocar uma redução considerável da função cardíaca, dificuldades respiratórias e uma tosse crónica.

 

Como se transmite a Dirofilariose?


A transmissão do parasita do coração faz-se através da picada dos mosquitos fêmeas de uma espécie bem definida: Culex pipiens.

Os mosquitos ingerem as microfilárias (formas larvares imaturas do parasita) ao mesmo tempo que ingerem o sangue do cão. Os cães doentes são o principal reservatório da dirofilariose e permitem a perpetuação da doença.

Cerca de 10 a 15 dias depois da ingestão das microfilárias pelo mosquito, estas transformam-se em larvas infetantes, no seu interior.

Quando o mosquito picar outro cão, as larvas penetram no corpo do animal. Após a transmissão das larvas de dirofilaria ao cão, estas migram até ás artérias pulmonares e ao coração, onde se desenvolverão até ao estado adulto, demorando este processo até cerca de 6 meses. As dirofilárias adultas podem medir entre 15 a 35 cm.


Onde ocorre a Dirofilariose em Portugal?


A prevalência da dirofilariose depende da distribuição dos mosquitos transmissores. De uma maneira geral, a Bacia Mediterrânica é consideravelmente afetada. Em Portugal, as regiões do Ribatejo, do Alentejo, do Algarve e a ilha da Madeira são as mais afetadas, com respetivamente 16,7%, 16,5%, 12% e 30% dos cães infetados.


Quais são os sinais clínicos no cão?


Os sinais clínicos da dirofilariose, consequência das lesões causadas pelo parasita no coração e vasos sanguíneos adjacentes, aparecem vários meses após o cão ter sido picado. Numa fase precoce da doença, o cão demonstra poucos sinais clínicos. Estes vão evoluindo com o tempo, sendo os principais: a tosse crónica, a diminuição da tolerância ao exercício e a perda de peso. Posteriormente aparecerão a dispneia (dificuldade em respirar), a febre, podendo desenvolver-se também ascite (líquido na cavidade abdominal).

A morte dos parasitas pode levar a ocorrência de tromboses em vários órgãos.

Na ausência de tratamento, a dirofilariose pode ser fatal.


Como se trata a dirofilariose?


A dirofilariose tem tratamento. Os métodos de tratamento existentes atualmente são prolongados e implicam um acompanhamento frequente e regular por parte do Médico Veterinário. São geralmente compostos de injeções e medicações orais.

O tratamento não é livre de efeitos secundários. Estes serão mais frequentes e severos quanto maior for a infestação.

Os efeitos secundários estão muitas vezes associados aos próprios medicamentos e/ou à morte dos parasitas adultos, o que pode levar à formação de tromboses.


Como se previne a Dirofilariose?


A prevenção pode ser feita com a toma de comprimidos mensais ou através de injeções. Os tratamentos devem ser iniciados com alguma antecedência no sentido de prevenir a época anual de atividade dos mosquitos transmissores da dirofilariose. Estes tratamentos têm como objetivo a eliminação das formas larvares da Dirofilaria transmitidas pelos mosquitos, evitando que estas evoluam para parasitas adultos. Ou seja, estes tratamentos profiláticos não evitam que os mosquitos piquem nos cães.

O que é a Leishmaniose?



É uma doença parasitária grave do cão, causada por um protozoário (parasita microscópico), denominado leishmania, que é transmitido por um flebótomo - insecto relativamente parecido com um mosquito, mas mais pequeno.


A Leishmaniose é uma zoonose, ou seja, pode transmitir-se ao Homem. Em Portugal, a transmissão ao Homem é rara e considerada acidental.

 

O que é o flebótomo?


Os flebótomos são insectos de pequeno tamanho, com pilosidades e duas asas (2,5 a 3 mm de largura) que, ao contrário dos mosquitos, não emitem um zunido quando voam.

A cor varia entre o amarelo claro e o castanho-escuro.

Os flebótomos mantêm-se activos desde o início do calor, normalmente em Abril e estende-se até Setembro. Em anos mais quentes pode iniciar-se em Março e terminar em Novembro.

É neste período que pode ocorrer a transmissão da Leishmaniose. O periodo de actividade dos flebótomos começa ao entardecer e continua até ao amanhecer. Os flebótomos da área do mediterrâneo preferem noites amenas (não menos do que 16°C) e não podem voar com ventos fortes.


Como se transmite a Leishmaniose?


A Leishmaniose transmite-se através do flebótomo.

A transmissão nunca ocorre de cão para cão ou de cão para a Homem, pois é sempre necessária a presença do insecto vector - 0 flebótomo.


Qual o risco de um cão se infectar com a doença?


Se o seu cão não receber qualquer protecção o risco pode ultrapassar aos 20%. Esta é a percentagem de cães infectados nas regiões mais problemáticas. 0 risco é maior se o seu cão permanecer em regiões onde a prevalência é elevada, onde

as condições climáticas são mais favoráveis (temperatura, humidade, etc.) ou se permanecer fora de casa desde o entardecer até ao amanhecer.


Onde é que ocorre a Leishmaniose Canina em Portugal?


Grande parte de Portugal Continental é endémico, ou seja, a doença prevalece com índices significativos. As regiões mais afectadas são Trás-os-Montes e Alto Douro, grande parte das Beiras, Ribatejo e Alentejo, a região metropolitana de Lisboa, a Península de Setúbal e o Algarve.


Como afeta o cão?


O primeiro sinal clínico mais habitual da Leishmaniose é a perda de pêlo, sobretudo em redor dos olhos, nariz, boca e orelhas. À medida que a doença progride, o cão perde peso. É habitual o desenvolvimento de uma dermatite ulcerativa (com feridas) que se pode disseminar por toda a superfície corporal do cão. São também habituais feridas da pele, na cabeça e membros, principalmente nas áreas que contactam com o chão quando o cão está sentado ou deitado.

Numa fase mais avançada, começam a observar-se sinais relacionados com a insuficiência renal crónica, que entretanto se desenvolve - os cães começam a urinar muito e a beber muita água.



Como se previne a Leishmaniose?


A prevenção é a medida mais importante, uma vez que os tratamentos existentes não permitem eliminar definitivamente a infeção, podendo os animais apresentar recidivas passados meses a anos. As medidas preventivas mais importantes são:


- Uso de produtos que diminuem a probabilidade das picadas dos flebótomos nos cães como coleiras ou pipetas, mesmo nos animais em que a doença já foi diagnosticada;


- Evitar os passeios, sobretudo entre o entardecer e o amanhecer, pois corresponde ao período de maior atividade dos flebótomos transmissores;


- Assegurar um bom estado de saúde do animal, para proteger o seu sistema imunitário. Uma boa alimentação, a vacinação e a desparasitação regulares são outras medidas de prevenção que ajudam o seu cão;


- Efetuar rastreios anuais da Leishmaniose Canina. Estes permitirão o diagnóstico precoce da doença e, consequentemente, um tratamento mais eficaz;


- Já existe disponível uma vacina, no entanto, só o seu Médico Veterinário poderá indicar se a vacinação é ou não uma opção de prevenção para o seu melhor amigo, pois, como qualquer medicamento veterinário, a vacina apresenta benefícios, mas também apresenta riscos.


O Homem pode contrair a doença se for picado por um flebótomo infetado?


É praticamente impossível que uma pessoa saudável venha a desenvolver sinais de Leishmaniose. No Homem, a resposta imunitária contra a leishmania é muito mais eficaz do que no cão, sendo capaz de impedir a expressão da doença na grande maioria dos casos.


Doenças transmitidas por carraças

As carraças podem causar irritação ou infecção no local onde se fixam à pele, mas também podem ser portadoras e transmitir infecções de um animal para outro. Elas

transmitem uma variedade de organismos causadores de doenças, incluindo protozoários, bactérias, riquétsias e alguns vírus.


Os cães podem ter infestações esporádicas com apenas algumas carraças, ou infestações maciças, dependendo da quantidade de tempo que permanecem no habitat das carraças e da dimensão da população de carraças.


Em algumas partes do mundo as carraças são portadoras de Babésia (um protozoário que causa a piroplasmose ou babesiose), Borrélia (uma bactéria que causa a doença de Lyme), Ehrlichia (uma riquétsia que causa ehrlichiose) e outros organismos, que podem representar sérias ameaças aos cães e seres humanos.

 

Babesiose


Doença causada pela Babesia canis e Babesia gibsoni, caracterizada por febre, anorexia e anemia. É fatal, se o cão não for tratado a tempo.


Borreliose ou Doença de Lyme


Das zoonoses transmitidas por carraças esta é uma das que merece mais destaque. É causada pela bactéria Borrelia burgdorferi que produz quadros de febre, anorexia, poliartrite, miopatias e adenopatias.


Ehrlichiose


Doença causada pela bactéria Ehrlichia canis que, na fase aguda, causa febre, problemas respiratórios, edema e vómitos.


Para reduzir o risco de transmissão de doenças ao seu cão, precisa de uma solução que efectivamente afaste e elimine as carraças. Existem agora novas soluções que funcionam de forma diferente das soluções convencionais.

O que são as pulgas?

As pulgas são parasitas dos cães e gatos, que também nos podem afectar. A mais comum é a Ctenocephalides felis, "pulga do gato". Apesar do nome, a pulga do gato afecta cães e gatos. Quando uma pulga salta para o seu animal de estimação, ela irá iniciar a alimentação dentro de 5 minutos e pode estar a sugar o sangue por até 2 ½ horas.


As pulgas fêmeas são as mais vorazes, consumindo ate 15 vezes seu próprio peso corporal em sangue. Em Portugal, as pulgas estão activas durante todo o ano. Mesmo no Inverno, as pulgas mantêm-se activas, muito devido ao facto de aquecermos as nossas casas nesta estação do ano.

 

Como afectam o cão e o gato?


O simples prurido causado pelas pulgas pode ser irritante o suficiente para um cão ou gato. Mas as pulgas podem causar problemas de saúde mais sérios. Alguns animais desenvolvem uma alergia grave à picada de pulgas (chamada dermatite alérgica à picada da pulga) e desenvolver sinais, tais como comichão intensa, que pode durar muito tempo depois de as pulgas serem eliminadas. As pulgas também são responsáveis por transmitir uma ténia (Diplydium caninum) aos cães, gatos e até mesmo seres humanos. Além do mais, as pulgas também podem transmitir doenças bacterianas.


Como sei que o meu animal está com pulgas?


A maioria dos cães e gatos vai ter pulgas pelo menos uma vez na vida. Mesmo os animais de estimação que nunca vão à rua, estão em risco de ter pulgas, pois estas podem ser muito habilidosas em encontrar o caminho para sua casa.


Tente afastar o pelo perto da base da cauda e ao longo de todo o dorso, com as mãos ou com um pente de pulgas, e verificar se vê algo em movimento. As pulgas têm um tamanho de até uma cabeça de alfinete e vão mexer-se ou saltar quando perturbadas.


Mesmo que não veja qualquer pulga, procure partículas escuras, parecidas com pimenta, na superfície da pele do seu animal. Estas partículas são as fezes das pulgas.


Poderá confirmar isto facilmente tocando com um toalhete de papel ou algodão molhado nestas partículas. Se, no toalhete de papel ou algodão molhado, vir pontos acastanhados, avermelhados ou alaranjados, então as partículas em causa são fezes de pulga e confirmará que o seu animal de estimação tem pulgas.


Como posso controlar as pulgas?


As infestações por pulgas podem rapidamente sair do controlo. Isto porque as pulgas põem ovos em tão grande número. A uma taxa de 40 a 50 por dia para cerca de 50 dias, uma única fêmea pode produzir 2.500 ovos.


Um grande número de pulgas adultas, recém-desenvolvidas, pode permanecer latente dentro de casulos ou pupas, em sua casa, por semanas a meses. Somente quando as condições forem adequadas - uma combinação de calor, dióxido de carbono e movimento - é que elas vão surgir a partir desses casulos, na sua forma adulta definitiva, e começarão a parasitar a seu animal.


Assim, é essencial controlar as pulgas adultas no seu animal, mas também as formas no meio ambiente.


Para evitar uma surpresa desagradável, use, com a regularidade indicada no folheto informativo de cada produto, uma pipeta para pulgas que consiga quebrar o ciclo de vida da pulga. Esta pipeta não só mata as pulgas adultas e imaturas nas imediações do seu animal, mas também garante que todas as pulgas adultas recém-nascidas, que saltem para o seu animal de estimação, não vão durar muito.


Trate todos as animais de estimação em sua casa, ao mesmo tempo, para ter certeza que resolve este problema de forma eficaz. O tratamento regular deve efetuar-se durante todo a ano, inclusive, durante a Inverno.


Que novidade existe no controlo das pulgas?


A grande novidade são as soluções que se baseiam na bioactivação.


Os produtos anti-pulga que se baseiam na bioactivação funcionam de uma forma diferente dos produtos convencionais. Uma vez dentro da pulga, estes produtos são convertidos por enzimas, da própria pulga, na sua forma activa.


Quando a pulga entra em contacto com este tipo de produto, as enzimas no corpo da pulga activam-no. Este processo é conhecido como a activação biológica ou "bioactivação". O produto activo leva rapidamente à paralisia e à morte da pulga. Como o produto só se torna activo dentro da pulga - e não nos cães, nos gatos ou em si - a sua exposição e a do seu animal de estimação ao produto totalmente activo é substancialmente inferior.


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